Talvez eu passe muito tempo sem sentir, talvez, até, eu não tenha tanto gracejo com as palavras, vai ver o amadorismo me impede, ou quem sabe a única fonte de inspiração que me restava, se foi de vez, se despiu de mim, levou consigo todo o sentido de juntar letras.
Sem saber o que dizer, permaneço calada, mas como ser humano tenho dupla personalidade, uma que ama, que desacredita nas palavras que machucam-no, e um lado social, um lado macabro que me leva a pedir que o mundo o condene, que o levem a forca.
Do meu violão não saem mais notas, na minha coca-cola não há gás, a cerveja congelou, e o whisky perdeu o sabor, sem um você para meu eu, tudo anda tão nebuloso, tudo fica sem rima, a prosa fica inquieta, não combinam as notas musicais.
Saio para ver o mundo, ele se esconde, me impede de chegar perto cada vez mais, o que é pior, ou melhor, pois assim é sempre mais difícil o acesso a você, antiga angústia de apenas ter te perdido para outro coração, mas é maior a dor de te perder para o mal.
Ensaio no espelho a conversa que já não me é certa, mas ensaio, falo pra mim, olhando a sua imagem no fundo dos meu olhos, vejo o seu sorriso, e te falo, vai, eu estou do seu lado, brigo, peço explicação, mas deito do seu lado, e apenas sinto sua pele, a mais leve pluma do amor, o amor que de mim foi tirado, em espaço físico, pois quando se há verdade, o sentimento prolifera, inconstante as ações.
Sem ponto final, sem saber se isso merece um fim, ou mesmo se isso existe, sei lá, não quero pensar isso me causa uma série de dores, mas fique sabendo, eu já não choro mais, eu penso e rezo, peço aos céus, até mesmo aos orixás, que lhe deêm o máximo de luz, de coerência, pois como não o posso fazer, em transmissão de mim, devoto-lhe amor eterno.

Nenhum comentário:
Postar um comentário