Sem saber entrei por uma porta,
Sem ver a pergunta dei uma resposta,
Fui por um caminho sem volta,
Tentei entrar no mar, mas só consegui ficar na encosta.
Fui, até um além onde não havia ninguém,
Um além de mim onde pensava existir um você,
Onde tudo era bonito
Onde deitei-me na relva ao amanhecer,
Ouvi um acorde,
Dedilhei um piano,
Fiz música, sem letra, fiz rima sem poema, fiz amor sem alguém,
Fui coração em eternidade,
Queria sentir alegria, corroír-me de saudade,
Chorei ao ver o longínquo mar,
Lágrimas se misturaram ao sal, aos rochedos,
O espelho me mostrou bela, mostrou o que eu queria que todos vissem,
Dentro eu estava feia, dizia até irreconhecível,
Perdi uma hora, talvez um ano, perdi tempo,
Olhei para trás, vi um vazio,
Senti Calor, Senti frio, senti vontade,
Acabei com a esperança, venci a prepotência, continuei obsoleta,
Em mim ficou amor, lutei contra o ódio e o rancor,
Ao fim do dia, deitei-me na varanda,
Em brisa leve e longa, senti que assim mais um dia se foi, sem que eu vivesse.
Vou continuar aqui, ao olhar das estrelas,
Ao som do silêncio da lua, a luz da meia-noite,
Refazendo meus planos, recordando meus rancores,
Secando lágrimas em lençois,
Dizendo ao coração que amanhã tudo muda
Que eu acordo, e vou a Luta.

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