Me persegue uma falta imensa de vontade, uma falta de algo que nunca foi meu, uma falta daquilo que nem sei se realmente existe, uma falta, simplesmente.
Caracterizo inferno astral como um momento, passageiro, que dura um certo tempo desnecessário, que não vem com ensinamentos, mas derruba os fracos com sua insegurança, traz consigo uma tristeza, que parece não ter sentido, ou sequer motivo.
Coragem, eis a palavra que se faz antídoto contra o astral infernal, mas esse remédio as vezes custa caro, e não tem o efeito esperado, ou vai além do limite e nos deixa anestesiados e impotentes a certas coisas, e acontecimentos.
Conspiram ao meu declínio, acho isso, o mal humor se tornou meu mestre, a cara feia meu sorriso, recorrer a fé já não me faz mais sentido, mas mesmo assim, ainda acordo amanhã pra ver se tudo muda, ou se continuo me deixando levar por uma coisa que nem sei explicar.
Um marasmo, um toque suave de jiló ao fundo da garganta, um doce de cachaça, aos sair do alambique, um profundo desgosto em tudo, as besteiras ditas, e ações mal interpretadas. Podia pedir para que o mundo se afastasse de mim, me jogasse em uma dimensão pra lá de marte.
Cometendo erros, em minha inquietação, deixo os pensamentos moldarem meu eu, meus passos ainda por marcar nas areias, já dizem para onde querem ir, marcam um destino que ainda me dá medo, que ainda me causa calafrios ao pensar que posso caminhar léguas e chegar ao mesmo lugar dantes navegado.
Traço aqui a solidão, a amiga certa das horas incertas, a mais verdadeira e silenciosa mulher, a mais companheira e fiel, a que nunca mente, a que abraça com força e demora a soltar, a que não quero vencer, pois com ela salvo-me de muitas, sem ela entro em outras tantas, quantas piores, solidão, eis aquilo que não sei explicar, que me faz falar coisas sem pensar, e que traduz dentro de mim, a língua da alma, para que eu possa transmitir ao mundo, que eu agora me recolho a uma redoma de aço, pois a de vidro resolveram quebrar com palavras pesadas.

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